Highway to hell
A África do Sul é um país peculiar. As leis mudaram desde que o apartheid acabou, em 1990/94, e agora há a tal da cota para negros não somente em universidades, como ocorre aqui, mas em vagas de emprego também. No Brasil, a discussão gira em torno do politicamente correto - as cotas nas universidades são justas, no sentido de favorecer os negros só porque são negros? Será um novo racismo ("só entrou porque é negro!", e frases afins)? Na África do Sul, a discussão é a mesma. Lá, brancos sentem-se prejudicados pela nova lei, que aparentemente alicia a nação a um novo racismo, dessa vez contra os brancos, que são desfavorecidos (cerca de 80% das vagas dentro de uma empresa têm de ser preenchidas por negros), mas também em relação aos negros, pois "só entrou porque é negro!". Muitos brancos mudaram de país quando a lei foi ratificada, em busca de um futuro melhor e mais justo. Mas lá a raíz é mais profunda. A cicatriz do antigo regime racista perdura estrategicamente camuflada (há alguns meses conheci uma pessoa cujos filhos estudam do outro lado do país, pois as escolas mais próximas tinham muitos negros, o que seria "muito" para suas crianças). Brancos (e talvez negros?) acreditam que um futuro melhor será baseado em melhores investimentos em educação, para que a futura geração, tanto de brancos quanto de negros, tenha mesmas oportunidades independente de sua raça, cor ou sexo (durante o apartheid, pouco era investido em educação, porém o mesmo se pode dizer de agora). Também defendem a idéia de uma lei de cotas por tempo determinado, para que o processo não seja invertido, e em alguns anos os brancos é quem sejam os discriminados por lei.
Mas, como disse há pouco, as cicatrizes não foram totalmente fechadas (acho que sul africanos são diabéticos!). Negros acreditam que a hora da justiça é agora, não no sentido de vingança, mas no sentido de que estão finalmente conquistando a tão sonhada igualdade com um empurrãozinho federal, pois é a única maneira de se equipararem aos brancos e honrarem, daqui por diante, todos os anos que seus antepassados viveram reprimidos, sofridos e aprazivelmente "chutados" pela cruel massa elitista. Brancos demonstram enorme desconforto ao ouvirem falar do Museu do Apartheid, pois se trata de uma ofensa aos seus antepassados ao verem toda a tortura retratada em fatos, fotos e outros documentos históricos, com demasiado poder apelativo contra eles por parte do museu (em suas visões).
Uma faca de dois gumes. Sem contar que se estamos falando de um país ainda em progresso, um Brasil dos anos 60, com a diferença que naquela época era muito mais fácil crescer, pois FMI e Banco Mundial ainda não eram os demon knights da política econômica mundial como são agora. Reclamam do atual governo, como fazemos aqui, pois este quer privatizar tudo o que é estatal, além de importar muito, deixando enorme déficit na balança final...
E ainda falam que o Brasil é que é problemático. Acho que já vi esse filme antes...
Escrito por Silsil às 20h37
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Reload
Para que vocês vejam a página como ela deve ser vocês devem atualizá-la, porque, pelo menos nos computadores que uso, o topo, que é em flash, só fica legal depois do reload.
Escrito por Silsil às 22h09
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Falando em Zoo Lake...
"Hotel XX - champagne accomodation for the price of lemonade".
Não, não estou inventado essa. Era uma placa perto de Zoo Lake que anunciava um hotel que não me lembro o nome. Só faltou a foto... prometo que quando voltar pra lá passo na região só pra registrar essa!
Escrito por Silsil às 21h56
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Haja... sapo
Coisas aborrecedoras sobre nosso vizinho, e que faço questão de relatar aqui (além do que já foi postado anteriormente):
1. Não tem nada pra fazer final de semana. Igualzinho Sampa: as pessoas vão ao shopping, e quando o tempo está bom vão para Zoo Lake, uma espécie de Ibira mais pobre (a galera faz churrasquinho na beira do lago). Não que não seja um lugar lindo (tem um restaurante lá que é o paraíso), mas... vocês me entendem :p
2. Serviços são uma tristeza: qualquer serviço que você precise, desde reparo doméstico até coisa mais séria em relação ao trabalho. É bom inventar uma data 1 semana antes da data real, porque aí, se você pegar no pé, quem sabe eles entreguem no SEU prazo, e não no fictício que você passou pra eles;
3. Não existe buteco, padoca, rodinha de samba, etc. Isso mesmo, povo bom é o brasileiro (claro que com várias exceções), que pode comer casquinha de siri e outras delícias, acompanhado de uma breja beeem gelada enquanto aprecia um belo entardecer na praia. Aaaah ,o Nordeste... :) E mesmo em Sampa, Benedito Calixto de sábado, padoca na esquina do meu apê, que vive lotada no final de semana, barzinhos e cafés na região da Paulista no fim de tarde (depois um filme non-block), polenta frita, açaí na tigela, suco de fruta natural...
É, a gente dá valor às pequenas coisas quando realmente não tem NADA parecido pra matar as saudades!
Escrito por Silsil às 21h52
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Brasil Connected
Pois é, cheguei no Brasil, mas assuntos sobre a África do Sul não acabam por aqui. Anteontem, mesmo estando absorta em meus pensamentos dentro do ônibus da Paulista para Perdizes, uma senhora que começou a falar alto chamou minha atenção: ela comentava - do meio do ônibus - com o motorista e o cobrador sobre a cena que se passava na calçada; tratava-se de uma batida policial contra 3 rapazes mulatos, no meio da Paulista, às 16h. A indagação da senhora era a de que se os rapazes fossem brancos, nada disso estaria acontecendo: "bandido é branco, e anda solto pelas ruas"; ela mesma fora vítima de um assalto a mão armada aonde os bandidos eram todos brancos. "Enquanto os brancos estão aí, soltos, a polícia pára esses rapazes só porque são negros, é um absurdo". Imediatamente lembrei-me de Johanesburgo. Se o Brasil, que aboliu a escravatura (e supostamente o racismo) em 1888 ainda é um país racista, imaginem a África do Sul, que mesmo não tendo escravos, foi berço de um dos regimes mais racistas do planeta, e que só veio ao fim em 1990?! É, o mundo - e esse blog - ainda terá muita história para contar...
Escrito por Silsil às 00h02
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Brilho eterno de uma mente sem lembrancas?
Ontem a noite assisti um pedaco do Miss Universo 2005 (isso mesmo, eu estava meio doente, entao eh perdoavel), e eh incrivel como a gente "aprende" com Misses Congenialities. Reparei primeiro no local: Tailandia. Apresentadores: norte americanos. Todo o processo eh identico aos beauty contests (competicoes de beleza) norte americanos, sorrisos, corpos sarados, vestidos glamourosos, show de talentos, entrevista, etc. (sei disso porque assisti "Miss Congeniality", com Sandra Bullock, 2x essa semana na TV :p). Apresentadores com sorrisos falsos, piadas arranjadas, e claro, norte americanos, falando ingles, na Tailandia. Comecei a divagar sobre toda a industria do entretenimento enlatada, e como ela esta presente aqui na Africa do Sul. Todos os cinemas tem em cartaz 99,99% dos filmes made in USA. De vez em quando exibem um filme sul africano. Um ou outro ja eh muito. "Art films" voce encontra em 1 cinema aqui em Joburg (em Rosebank), e mesmo assim eh muito diferente do que se encontra em Sampa, por exemplo. Nada de filme europeu, leste europeu, asiatico. A unica vez que passei por ele, estava em cartaz "Closer", "Diarios de Motocicleta" e mais 2 que nao me recordo o titulo. Sao filmes que nao fariam sucesso na telona, e por isso os ingressos custam mais caros (e como cinema eh caro aqui!!! Detalhe: nao existe meia entrada com sua ISIC pra nada). Nas locadoras voce encontra pouca coisa que valha a pena, aqui eh considerado esnobe assistir filmes europeus, ou se assiste filmes hollywoodianos, ou se assiste producoes locais (que alias tem muita coisa boa, assunto pra outro topico). Festivais de filme aqui significam filmes made in USA, que ja estao em circuito, mas em cartaz 24/7 por um valor irrisorio; nada de filmes do mundo inteiro, como ocorre nos festivais em Sampa e Rio. Isso seria um fracasso nessa terra. Infelizmente. E o que isso tem a ver com Miss Universo 2005? Tudo, se bem que "tudo" aqui signifique um vazio imenso. As 5 finalistas do concurso tinham que responder a questoes elaboradas pelas proprias candidatas. Tudo ia bem, ate que a ultima candidata, uma venezuelana, teve que responder como eh a situacao de seu pais. "A Venezuela esta passando por transformacoes politicas, economicas... o que acontece la eh que eh um pais onde as pessoas sao muito fechadas... eu acho que... eu acho que todo mundo tem que se ajudar... voce sabe... todo mundo tem que se ajudar para transformar a Venezuela num pais melhor... erm..." DIIING! Toca a suave campainha, indicando final do tempo. Um sorriso amarelo da estonteante candidata - e dos apresentadores - deixa claro que a situacao eh alarmante. Desesperadora. (Ambiguidade aqui). Meu maior desejo nao eh "world peace" (enfim, quem assistiu o filme com a Sandra sabe do que estou falando); meu maior desejo eh que a cultura nao seja massificada pela "globalizacao", consequentemente que culturas locais nunca desaparecam, e que Godard nunca morra!!!
PS: nao me perguntem quem levou a coroa, nao aguentei ver o programa ate o fim.
Escrito por Silsil às 04h25
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Stay alive!
Pois eh, apos quase 2 meses sem dar o ar da graca em minha propria "casa", encontro inspiracao - e tempo - para blogar. Para quem nao sabe (no caso, quase todos que conheco... hehe), ainda estou em Joburg, ia voar ontem mas um subito surto de loucura as 6:50h da manha, quando meu taxi para o aeroporto estava marcado para as 7h, me fez ligar para a SAA e adiar meu voo por 1 semana. O AJ esta doente, e agora eu tambem, mas nada serio, gripe nesse inverno louco.
E depois de 3 meses na Africa do Sul, chego a uma conclusao: eu ate que gosto daqui! :) Para ilustrar mais claramente pros e contras de Joburg (nao tive tempo nem muito Big Five* ainda pra conhecer o resto do pais, alem da casa dos sogros... heh), resolvi, ao inves de fazer um longo discurso, separa-los por topicos. Facil de ler, mais facil ainda de escrever:
Contras: - tudo fecha cedo; se vc estiver faminto apos as 9h da noite, azar o seu; - onibus comeca e para de circular FORA do horario de pico. Isso mesmo, antes ou depois disso, so os crazy cabs** (R5 + muita reza) ou taxi, que nao eh barato; - sul africanos tem um estilo de vida - e mentalidade - europeu; - sem carro voce nao eh nada, e carros custam uma fortuna, bem como combustivel; - itens importados sao ca-ris-si-mos; - ainda existe racismo, inclusive entre os jovens (o futuro da nacao, blah); - cumprimenta-se amigos e parentes (incluindo mulher-mulher) com selinho; sinal de que a pessoa eh querida; - sequestro relampago e outros crimes; - eh um povo conservador e antiquad(issim)o, a maioria Afrikaans.
Pros: - tudo eh muito verde e limpo; apesar de ser considerada uma cidade poluida, em Joburg voce ve o horizonte, o por-do-sol nao cor-de-rosa, e ouve passaros cantando do lado de fora da janela do seu quarto; - ganha-se, em media, o dobro do que se ganha no Brasil para a mesma funcao; - yes, eles tem Mini Cooper! (aqueles carrinhos ingleses imortalizados pelo filme "The Italian Job" e pelo encarte num dos singles dos Stereophonics); - eh uma mistura cultural riquissima; - tem muita gente sorridente (a maioria negros); - menino negro e menino branco andam lado a lado sorrindentes, te dizem "oi" e levantam seu astral [ah, se eu tivesse minha camera naquele momento :)]; - eh como Sampa: por mais que vc deteste, vc sempre sente falta do estilo de vida daqui e sempre acaba voltando; - o "Joburg skyline" eh uma experiencia inesquecivel, nada como encerrar o dia com esse visual no caminho de volta; - todos os dias sao ensolarados.
Em suma, demorei para me adaptar a essa cidade, mas quanto mais a gente mergulha em sua historia, cotidiano, povos, mais a gente quer aprender. E quanto mais se aprende, mais se respeita, pois eh um pais unico no mundo, e apesar de Joburg ser uma cidade que lembra o Brasil ha uns 20 anos atras (de acordo com o que li nos livros :p), eh um lugar que ainda aprecia e mantem a natureza e qualidade de vida lado a lado com o desenvolvimento. Espero que, daqui a alguns anos, eu possa olhar para a mesma Joburg e ver que o progresso atingiu seu auge, as leis racistas (quotas) tenham sido abolidas pois se atingiu o respeito mutuo sem interferencia federal, e que o por-do-sol ainda seja o mesmo no caminho de casa, com o skyline no horizonte fabuloso e estrelas no ceu testemunhando um novo mundo. E, eh claro, que tudo seja mais barato (inclusive carros), mas mantendo o mesmo nivel salarial :D
* Big Five eh o simbolo da Africa do Sul; trata-se dos 5 maiores animais daqui, bufalo, leao, leopardo, rinoceronte e elefante. Eles estao estampados nas notas de Rand, e em muitos outros lugares. ** crazy cabs eh o apelido carinhoso que dei aos lotacoes daqui - vans que cobram menos que os onibus publicos - e que te injetam dose extra de adrenalina pro resto do dia :)
Escrito por Silsil às 08h41
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Lenda urbana - historias da vida real
Ele estava a caminho de casa - ja era tarde, 18:30h quando deixou o escritorio e se dirigiu ate o ponto de taxi.
Na esquina de uma movimentada avenida, uma garota o chama - precisava de dinheiro para abastecer o carro que, aparentemente, havia parado por falta de combustivel. Na generosa tentativa de ajuda-la, mas ao mesmo tempo pressentindo algo estranho naquela situacao toda, ja que haviam mais 2 garotos com ela - ele disse ter apenas R10 no bolso (na realidade, havia R2000 em sua carteira)*.
Eh quando os 3 apontam uma arma em sua direcao e o mandam entrar no carro. E a medida que o carro se movimenta, ele percebe que as ruas estao cada vez mais desertas, um caminho que ele nunca havia visto antes. Pensou em sua namorada, e na possibilidade de nunca mais ve-la novamente.
Os bandidos tomam seu celular e os R10, e o largam no meio da rua. Ele caminha ate o unico lugar habitado mais proximo, um campo de golfe, onde meias-idades se despediam apos uma partida. Ele pede ajuda a um deles, que solicitamente lhe oferece uma carona, e no caminho de casa ainda oferece o celular para que ele possa ligar para sua namorada.
"Erm... nao sei o numero dela de cor...". E devolve o celular para seu dono.
Isso tudo teria sido uma lenda se nao tivesse ocorrido ontem a noite, e o ele em questao nao fosse o AJ e a namorada, obviamente, eu.
Nota: para aqueles que ainda fingem nao serem racistas, os 3 bandidos em questao eram brancos, falavam Afrikaans e tinham 20 e poucos anos.
*R = Rand, moeda sul africana, equivalente a R$ 0,47.
Escrito por Silsil às 08h37
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Noticias
Atualizando: para quem quiser ler mais sobre a Africa do Sul, e tambem sobre o resto do continente, ai vao links de principais jornais locais: - Mail & Guardian
- The Star
Have fun!
Escrito por Silsil às 03h19
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Os paradoxos no transporte publico - no stress, yes beer!
Eh incrivel como Jozie lembra muito Londres, mas ao mesmo tempo o Brasil.
Hoje mergulhei no cotidiano sul africano e peguei onibus pela primeira vez desde que cheguei aqui - quase 1 mes, diga-se de passagem - ja que o AJ esta em fase de transicao para uma moto mais potente que a atual.
Na ida, longa caminhada ate o ponto de onibus (sim, moramos numa area residencial, e isso tem seu lado negativo as vezes), e paramos num ponto de onibus (creio eu que se tratava de um) na esperanca de que qualquer tipo de transporte chegasse asap. Aparentemente os pontos de onibus servem como parada para onibus, taxi e uma especie de lotacao (por isso a semelhanca com o Brasil). Acabamos pegando o lotacao, que passou primeiro; muito barato (R4.50, +- R$2), e ate que eh um meio interessante de locomocao.
A volta foi mais interessante. Nos encontramos (eu e AJ) em frente a um charmoso mini centro gastronomico, ja que trabalhamos ha apenas 2 quadras de distancia [o que eh otimo :)] e caminhamos - bem menos dessa vez - ate o ponto mais proximo, e pegamos um onibus (de verdade :p). Eles tem 2 andares mas sao cinzas, e identicos por dentro aos onibus londrinos (nao, nao aqueles antigos com a traseira aberta, que alias serao totalmente/ infelizmente substituidos pelos novos, completamente fechados), entramos e saimos pela unica porta (dianteira) e pagamos pela distancia que percorremos ate a parada final desejada, igualzinho a Londres. Para isso eh necessario ter ao menos a nocao de onde se quer parar, o que eh um pouco dificil para quem nao tem ideia de localizacao, como eu, no momento. Mas ainda assim, os horarios dos tais onibus de 2 andares sao muito, muito diferentes de qualquer outro pais no mundo - extrema e irritantemente limitados. Night bus como em Londres, nem pensar.
De qualquer maneira, creio que Jozie eh a unica capital financeira no mundo onde ainda eh possivel nao encontrar transito carregadissimo em horario de pico, alem de poder desfrutar de um belo entardecer cercado de muito verde e um visual magnifico do ponto alto da cidade. Eh, la dolce vita. Ah, estava me esquecendo da Castle e charuto no final do dia pra compensar o "estresse" :)
Escrito por Silsil às 19h50
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South African way of life
A cidade clareia antes das 6 da manha no inicio do outono. Passaros cantam alegremente nos galhos das varias arvores existentes nos ricos suburbios de Johannesburg. Tudo eh muito verde, as ruas tranquilas, sem transito. E ninguem andando pelas ruas. Absolutamente ninguem. Motoristas dirigem calmamente seus carros, cujo volante se encontra do lado direito do veiculo, fazendo com que o transito seja invertido se comparado ao Brasil, mas igual a Inglaterra, Australia, Nova Zelandia e Japao. O roteiro a caminho do trabalho eh quase um passeio, nada de buzinas nem motoristas estressados. Pelas ruas, carros luxuosos desfilam sua suntuosidade em meio as ruas do norte da cidade, sempre rodeadas de casas enormes, todas com jardins e calcadas gramadas, algumas com piscinas, outras ate mesmo com quadras de tenis.
Na mesma Johannesburg, amanhece o dia com menos passaros ao redor; o caminho para o trabalho eh cercado de pessoas nas ruas, dependentes de um parco transporte publico, com onibus operando em horarios e roteiros nada praticos, e um sistema ferroviario tao decadente que lembra muito os trens que operam em Sao Paulo e Rio de Janeiro.
E assim comeca mais uma semana, depois de um longo final de semana, que contou com mais um feriado ontem. Logo o sol se poe, carros entrarao na garagem para sairem so amanha, ja que tudo fecha cedo por aqui (nenhum restaurante fica aberto apos as 9, com sorte 10 da noite).
Eh, nao existe um South African way of life, e sim South African ways of lives, ja que esta nacao nao eh formada de apenas um povo, mas 12 diferentes povos e culturas, linguas e cotidiano. Nesse ponto, a Africa do Sul eh um pais riquissimo, e fonte de inspiracao para pesquisas para internacionalistas como eu, ou qualquer outra pessoa interessada em varias formas de manifestacoes politicas e culturais, muitas vezes parecidas com o Brasil (corrupcao eh um "bom" exemplo), outras vezes completamente diferentes, como uma vez AJ postou em seu blog.
De qualquer maneira, eh um pais que vale a pena ser destacado sempre.
Escrito por Silsil às 10h12
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Guloseimas que eu adoro
Bom, depois desse papo serio no post logo abaixo, nada como falar de comidinhas gostosas que encontrei aqui e que so encontraria em Londres, outras sao comidas locais mesmo:
- Maltesers - Stella Artois - Castle - chocolate quente Nestle (hmmmmmmmmm) - Biltong (especie de sticks de carne (nao sao iguais aos dos norte-americanos, Biltong tem sabor muuito bom - e olha que sou semi-vegetariana!) - aperitivos de frutas cristalizadas (cortadas em quadradinhos achatados, muuuito bom!!!)
Isso tudo sem mencionar a culinaria sul africana, que eh fora de serie... mas isso ja eh assunto para outro post :) Alias, ja esta quase na hora do almoco por aqui... heheh
Escrito por Silsil às 06h55
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Appartheid?
A Africa do Sul eh um pais que se tornou Republica ha 10 anos. Antes disso, um governo repressor esteve no poder por cerca de 50 anos, segregando brancos (minoria) da grande massa negra da populacao deste pais, e do resto do continente tambem.
Mas sera que o appartheid foi completamente extinto apos a ratificacao de um documento?
O que vejo no dia-a-dia aqui em Jozie eh uma sociedade ainda segregada; por exemplo, o norte da cidade eh rico, as casas suntuosas (estilo Jardim Europa de Sao Paulo), mas todas devidamente cercadas eletricamente. Trata-se de um bairro seguro para se viver. Descendo um pouco mais para o centro da cidade, encontramos a grande maioria negra andando pelas ruas, e - coincidentemente ou nao - eh um bairro em que se deve sempre andar acompanhado de um local de sua confianca, ou, se sozinho, nunca dar bandeira de que voce esta de bobeira.
Andando nos shoppings centers dos bairros nobres da cidade, a cena eh sempre a mesma: a grande maioria branca passeia por seus corredores, come nos restaurantes caros, saboreia "cafes" (nao, Seattle NAO oferece CAFE) enquanto aprecia sua leitura e, em todas as vezes (ainda nao vi nenhuma excecao), eh servida por negros, que sempre estarao do outro lado do balcao, claro que nem sempre com um sorriso estampado na boca. Alias, isso eh muito raro, apesar da primeira impressao que tive ter sido contraria.
O que quero registrar aqui eh que o appartheid, apesar de nao existir mais no pais, ainda vai levar decadas para ser extinto, se eh que um dia sera, pois o cotidiano das pessoas nao se transforma do dia para a noite, muito menos suas mentalidades. A geracao dos 20 e poucos anos esta mais tolerante em relacao a diversidade cultural do pais, mas resquicios sociais como a violencia e diferenca de classes ainda levara anos ate se equiparar com algo proximo a palavra igualdade.
Escrito por Silsil às 06h25
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Premiere
Bom, muitos dias depois da minha chegada a Africa do Sul e que resolvo tomar vergonha na cara e criar um blog, assim meus amigos podem saber como e o dia-a-dia aqui. Apesar do pais ser conhecido por seus cerrados e Game Park (ou safaris), estou situada em Johanesburgo, carinhosamente chamada de Jozie, as vezes Joburg. E apesar de muita gente pensar que aqui eh a capital, engana-se, ja que Bloemfontein, Pretoria e Cape Town sao as capitais do pais, que estranhamente tem 3 sedes, pois cada cidade abriga um tipo de administracao. Muito diferente da maioria dos paises do mundo.
Este eh somente um post de boas vindas, mais por vir nos proximos posts... entrem e fiquem a vontade :p
Escrito por Silsil às 23h55
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